Ao falar da história da FICA, Rita contou-nos como chegou à cerâmica, depois de uma década dedicada à serigrafia: “A serigrafia entrou na minha vida uma década antes da cerâmica, e assim que me senti confortável com a serigrafia, achei que era altura de me dedicar a outro ofício, só podia ser a cerâmica. Para mim, cruzar a serigrafia com a cerâmica é fascinante. Comecei a aprender cerâmica em 2018 e sinto que ainda tenho tanto por aprender”.
Para criar um estilo que cruza diferentes técnicas, Rita inspirou-se no trabalho de vários profissionais das artes.
As minhas inspirações são bastante transversais: da riqueza gráfica da Marimekko ao brutalismo Lina Bo Bardi, passando por José de Guimarães e Matsui Kōsei”
Apesar de dizer que se sente bastante confortável com técnicas que exigem maior controlo, Rita tenta sempre deixar algo diferente numa peça e brinca que também gosta de “deixar uma lastra de Nerikomi viajar ao sabor da roda de oleiro”.
Em 2024, esse trabalho ganhou uma nova vertente: a equipa passou a disponibilizar os produtos criados nas oficinas através do projeto FICA Editions.
A quem tem curiosidade pela cerâmica, mas não sabe por onde começar, Rita aconselha a dar o primeiro passo. O interesse e a vontade de aprender vêm antes do domínio da técnica.Depois de acompanhar centenas de principiantes, sabe o que significa fazer parte desse percurso: “Sentir que o nosso trabalho ajuda a realizar o sonho de alguém é extraordinário e gratificante. É isso que nos motiva a continuar a abrir o portão da oficina todos os dias”.
A cerâmica exige prática e paciência. Repetir faz parte da aprendizagem, mesmo quando os resultados demoram a aparecer. Como diz Rita: “Primeiro vem a frustração, depois vem a satisfação”.
